Literalmente fui ao Bau buscar estas fotos que me acompanham á anos.
Sendo assim, vamos até ao dia 16/06/1988, é esta a data que tenho no album destas fotos, tinha eu 14 anos.Andava pelo Montijo com o meu amigo Rodas, em plena Rua Direita quando nas nossas costas passou um Fiat G-91 numa rota normal de aproximação á pista. Podia dizer que já ia a deitar fumo, no entanto para mim o aparelho ia normal.
Neste dia as Festas de S.Pedro, Padroeiro da terra estavam próximas e de um momento para o outro gerou-se uma algazara na Pr da Republica que eu e o Rodas corremos para a Praça. De inicio ainda pensei que alguem que estava a colocar as lampadas na Igreja tivesse caido, pois as pessoas apontavam para o ar.
Após falarmos com algumas pessoas, toda a gente nos dizia que tinha caido um avião por detrás do tribunal.
Corremos e atravessámos o Parque mas atrás do tribunal não havia nada. No entanto reparámos no fumo que vinha por detrás de uma vivenda. Corremos e ao passar na avenida que vai para a Escola Jorge Peixinho ouvimos uma tremenda explosão.
Nós corriamos para lá e alguns fugiam no sentido contrário gritando que o avião levava bombas.
Ao chegarmos ao local vi um aparelho em chamas, muito mas muito fumo negro. Um cheiro terrivel a JP4.
De um momento para o outro, começam a saltar PA’s pelos muros que vinham da avenida (frente das vivendas). Pouco depois, formaram um perimetro e chegaram os carros de combate a incêndios da BA6.
No local já estava um ou outro carro dos BV Montijo.
O piloto tinha se ejectado estava deitado sobre um telhado de uma das vivendas (a que tem telhas pretas).
O pára-quedas não abriu na totalidade, porque o piloto levou o avião até á ultima na tentativa de o despenhar no descampado. No entanto como a asa esquerda vinha para baixo tocou no telhado de uma casa e caiu sobre ela. Provocou a morte a 2 idosas que moravam na casa.
O piloto foi recolhido por pessoal da BA6 e colocado no Puma, directo para o Hosp. do Lumiar.
Entre nós começámos a falar que bom era ter ali uma máquina fotográfica. Como aquele terreno era nas traseiras da minha casa fui buscar a minha máquina fotográfica e voltei a correr para o local.
As fotos foram tiradas á pressa e nem quiz saber o que apanhava. Máquina meio escondida, pois não sei porquê estava com medo que me tirassem a máquina.
Fiquei com um bocado da Carlinga que caiu no quintal do Salvador. Ainda hoje a tenho, não sei onde mas guardo-a religiosamente.






